
Enquanto o estado da Bahia volta suas atenções e recursos para as celebrações do Carnaval, o clima no Extremo Sul baiano é de guerra e apreensão. Produtores rurais da região de Prado denunciam o que chamam de “omissão deliberada” do Governo do Estado e das forças de segurança diante da escalada de violência protagonizada por grupos armados e facções criminosas. Produtores estão indignados com as omissões dos prefeitos Jânio Natal, de Porto Seguro; Gilvan Santos, do Prado; Jorge Almeida, de Itamaraju; e Ricardo Flauzino, de Itabela, diante de tamanha gravidade.
O Retorno da Violência na Fazenda Barra do Cahy
O cenário de crise atingiu seu ápice no último dia 9 de fevereiro. Relatos locais indicam que, logo após a retirada de um contingente da Polícia Militar, a Fazenda Barra do Cahy foi novamente alvo de uma invasão violenta. Segundo testemunhas, seis caminhonetes transportando homens fortemente armados — inclusive com fuzis — chegaram ao local. Houve troca de tiros e a equipe de segurança da propriedade foi superada pelo poder de fogo dos invasores.
A reincidência do ataque levanta questionamentos urgentes sobre a estratégia de segurança na região. Produtores questionam por que, em intervenções anteriores, a Polícia Militar não realizou a apreensão de armamentos ou a prisão de indivíduos que, comprovadamente, possuem mandados de prisão em aberto.
Vácuo de Poder e Crime Organizado
A denúncia aponta para uma realidade trágica: o trecho litorâneo que se estende de Caraíva a Cumuruxatiba estaria sob influência direta de facções do crime organizado e do tráfico de drogas. Sob o pretexto de pautas sociais, esses grupos estariam promovendo o esbulho de propriedades privadas, assassinatos e a opressão de comunidades locais.
A ausência de postos fixos da PM em áreas críticas é vista pelos moradores como um convite à criminalidade. No centro das críticas está o Governador Jerônimo Rodrigues, acusado de evitar a exposição em temas sensíveis de segurança pública durante o período festivo, e o Ministério Público Federal (MPF) e a Funai, cujas atuações são classificadas como omissas diante do quadro de violência extrema.
Tensões Políticas em Prado
A crise também respinga na gestão municipal. O prefeito de Prado enfrenta duras críticas da população por uma suposta inércia na proteção dos cidadãos. O clima de desconfiança é alimentado por alianças políticas; críticos afirmam que o apoio a figuras políticas ligadas a movimentos de ocupação de terra acaba por imobilizar a ação da prefeitura contra os grupos armados que aterrorizam a zona rural.
Perguntas sem Resposta
Até o momento, a sociedade civil e os produtores do Extremo Sul aguardam respostas para perguntas fundamentais:
- Por que não houve prisões de indivíduos com mandados judiciais conhecidos durante as operações?
- Quais medidas o Governo do Estado pretende tomar para garantir o direito constitucional à propriedade privada?
- Haverá reforço ostensivo e permanente, além das operações temporárias de Carnaval?
A população de Prado e região permanece em estado de pânico, exigindo que o Estado retome o controle da ordem pública antes que o conflito resulte em mais perdas irreparáveis.https://www.youtube.com/embed/dg4NAgBrZ10

















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