
Em Santa Cruz Cabrália, trabalhadores do setor turístico denunciam práticas abusivas que incluem suspensão de folgas semanais, excesso de horas trabalhadas sem pagamento de horas extras e demissões sem quitação dos direitos previstos em lei. Enquanto empresários faturam alto durante a temporada, colaboradores relatam exploração e ausência de apoio sindical.
Na Passarela Indígena, em Coroa Vermelha, e em diversas lojas de souvenirs, barracas de praia e pousadas, relatos se repetem: funcionários são obrigados a trabalhar semanas seguidas sem descanso, sob a justificativa de “movimento intenso”.
Essa prática não apenas fere a legislação trabalhista, mas também desestrutura famílias e compromete a saúde física e mental dos trabalhadores. Muitos afirmam que não têm carteira assinada, recebem salários atrasados e não participam dos lucros anuais das empresas.
Segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a precarização do trabalho no setor de turismo é uma realidade em várias regiões do Brasil, marcada por alta rotatividade e informalidade. Isso reforça que o problema não é isolado, mas parte de um cenário mais amplo.
A pergunta que ecoa entre os trabalhadores é: onde estão os sindicatos e representantes locais quando direitos básicos, como a folga semanal, são sistematicamente negados? Vereadores e lideranças políticas parecem fechar os olhos para práticas que se tornaram rotina.
O turismo é a principal fonte de renda de Cabrália, mas não pode ser sustentado à custa da exploração. Empresários que não conseguem manter suas empresas dentro da lei precisam buscar alternativas legítimas — abrir capital, atrair investidores ou repensar seus modelos de gestão. O tempo dos trabalhadores é o bem mais precioso que possuem, e trocá-lo por salários insuficientes e abusos não pode ser a regra.
A crítica que fica é clara: sem respeito ao trabalhador, não há turismo sustentável.













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